O Livro

•dezembro 19, 2009 • Deixe um comentário

Eu = 1º Pessoa do singular, conforme diz a língua portuguesa. Logo, sou uma pessoa. 1ºpessoa? nããã,mas com certeza também não sou a ultima.Ok,viremos as paginas desse livro que se intitula, Marcelo Matos. Um livro tão simples e tão atrapalhado, que a certo ponto é cativante. Um livro meio tímido de inicio faz até perder a graça. Mas após algumas paginas escritas de forma abstrata, incompreensível, às vezes ocultas, nota-se que o livro Marcelo Matos, vai se tornando empolgante, e surpreendentemente cativante. Com passagens desde piadas ridículas e sem a menor graça até a níveis de criatividade que se superam por si mesmas e ainda se superam outras vezes mais em curtos espaços de tempo. Não, engana-se quem chega a pensar que este livro é mais um livro que retrata um dramalhão mexicano, das antigas ou das novas… Tanto faz, pois lhes digo, não… Não ESTE livro. É uma viajem nos pensamentos de um ser, que por mais insignificante em suas vidas possa parecer ou superficial, você vai notando aos poucos, que mesmo sem uma atitude notável, você começa a ceder… E a ceder mais e cada pouquinho mais que você vai cedendo o livro começa a tomar conta de você de tal maneira que então perceberás que você AMA este livro, que ele lhe cativa, te domina, cada pagina uma descoberta nova, cada novo diálogo que ocorre ao decorrer se transforma num lindo poema. Mesmo com uma capa desagradável, seu conteúdo esconde um universo de possibilidades que quase ninguém até hoje percebeu. Resumidamente descrevo Marcelo Matos, ou se preferir “O Livro”, como algo tangível entre o belo e o feio, entre o A e o Z, ou simplesmente o Inicio… E Infinito, ou Além.

[Escrito há alguns anos atrás]

Marcelo Matos

Sua autenticidade é autêntica?

•dezembro 17, 2009 • 1 Comentário

O que é ser autêntico hoje em dia? Só mais uma de tantas modinhas, talvez?

Quem sabe aquele que tem a coragem de copiar os outros seja mais autêntico do que quem se obriga a ser do contra, ser “original”?

Às vezes essa autenticidade fabricada perde a validade. Pense nisso.

(Esse é um autêntico dilema filosófico. Ou não?)

Ramiro S. da Silva

história sob um ângulo incomum

•dezembro 17, 2009 • Deixe um comentário

Oi! Eu sou um objeto inanimado e vou contar uma história louca. É, louca, tipo as histórias de um tal Clube da Escrita que tem na Fabico. Parece que mudou o nome, agora é Chá das Cinco. Volta e meia, eu observo os registros feitos na parede, com giz e canetas coloridas. O Chá/Clube é um deles, no meio de tantos outros que minha memória de objeto inanimado não deixa lembrar.

Eu observo as paredes riscadas, veja bem, quando eu posso e quando o ângulo é favorável. Sempre que querem me usar, me colocam de costas para a entrada principal do Diretório. Acho isso meio chato. O pior mesmo é o que fazem comigo depois, mas essa situação já tem tanto tempo que o mais sensato seria eu me acostumar a essa situação.

Sou branca e tenho várias irmãs, coloridonas. É, acho que agora me entreguei. Sou uma bola de sinuca, a que sempre é usada primeiro para tacar e espalhar as outras. Meio chata essa vida, mas pelo menos os humanos se divertem. Acho até que eles se divertem mais quando aprontam comigo, quando me encaçapam por acidente ou quando me atiram com o taco pra fora da mesa. Não entendo como fazem isso, a Física deve explicar. Ou não…

Apesar de tudo, não posso reclamar, porque meu “lar”, eu e minhas irmãs somos elementos importantes naquela sala. Tem horas em que ficamos em paz, amontoadinhas naquelas espécies de redes que ficam nos cantos. Mas, quando entramos em ação, é legal porque parece ser sempre um momento alegre, de conversas e risadas.

Creio que ninguém nunca tenha me perdido por algum momento naquela sala. Pelo que eu observo na área verde, ninguém perdeu ainda minhas irmãs. Elas têm números… Dizem as regras que cada jogador (ou dupla de jogadores) deve encaçapar apenas as pares, enquanto o(s) adversário(s) encaçapa(m) as ímpares, ou vice-versa. Se não me confundi, deve ser isso. Enfim…

Eu vivo quase que totalmente no meu mundinho, não sei dizer ao certo se existem outras coisas inanimadas que são perdidas todos os dias naquela sala enorme e colorida. Quanto aos humanos, acho que todos eles são meio perdidos, dentro e fora do Dacom. Não tem problema. Certamente eles se encontram lá na mesa marrom e verde, de alguma forma.

Andiara Moraes

Saudade:

•dezembro 17, 2009 • Deixe um comentário

aquele sentimento que, por mais que ele não se manifeste, estará ali, incansável, escondido e pronto a nos invadir em um momento de distração.

Andiara Moraes

Etapas

•dezembro 17, 2009 • Deixe um comentário

Sonha. Idealiza. Planeja. Junta dinheiro. Faz uma varredura por sites de imobiliárias. Faz contatos. Prepara-se para encarar a enorme burocracia. Assina a papelada. Aguarda a liberação. Moradia nova.

Pesquisa mais, agora em sites de lojas de móveis e eletrodomésticos. Trena em mãos, verifica medidas e decide a mobília. Mais gastos, sempre eles. Pessoas desconhecidas montando coisas.

Analisa contas – o salário vai dar conta de condomínio, luz, água, gás? Lista de compras. Aventuras e desventuras na cozinha, árduas limpezas, insetos non-gratos.

O canto próprio, que tanta gente demora pra conquistar… E existem os que conquistam sozinhos, de forma independente, depois de tantos sacrifícios.

Pode parecer que não, mas enfrentar tamanha disposição e tamanho estresse requer coragem, muita coragem.

Andiara Moraes

Me cale

•dezembro 17, 2009 • Deixe um comentário

Tento me calar e não consigo

Falo mais que minha língua tremula estimulada

Pela doçura que és comigo

Falo tanto que não digo nada;

Olhar pra ti é d’onde mora o perigo

Fraqueza pura como é a madrugada

De sorrir e te chamar de minha amada

E tu meiga e delicada já é castigo;

Duvido que não goste do meu gracejo

Impossível ser tão insolente

Que não lhe cunhe um desejo

Onde crio coragem

E lhe deixo mensagem

Selada com meu beijo.

Marcelo Matos

Adeus amor

•dezembro 17, 2009 • Deixe um comentário

O meu calor desaparece, ao passo que, você me esquece

Aonde deixo meu êxtase? E esse amor que me enaltece?

As cartas quase que te escrevi e jamais me esqueci,

Queimarão com dor, só não te entreguei porque morri.

Aquele fogo, antes pecado, morreu de vez, o que há de errado?

Eu fui ingênuo, isso é passado, acreditei terem me amado.

Adeus amor, meu coração morreu no rio

O sonhador voltou ao chão trêmulo sentindo frio.

Marcelo Matos

Meu velho novo amigo

•dezembro 17, 2009 • Deixe um comentário

Vou acordar ligar meu toca-discos, sentar na minha cadeira de couro, acender meu charuto e olhar para a janela. E nessa janela vou apreciar a pintura que se estende naquele poer de sol e aquela felicidade estampada nos rostos das crianças iluminados pelo belo cintilar de suas cores. Ai, ai… meus tempos alegres, como eram bons. Lembro-me bem.  Mas agora em meu jazigo, minha casa, com meus velhos hábitos e velhas memórias sorrio. Essa calorosa luz em meu rosto me faz sentir-me vivo, esse som envolve toda minha alma e não consigo me mexer envolto a esse manto de calmaria. Ah! Esse sabor que em minha velha juventude tanto me trouxe felicidade, quantas garotas não resistiram ao meu charmoso olhar, chapéu e charuto. Sim, bons tempos aqueles, em que eu não prestava contas de onde ia, que a boemia daquelas noites mágicas e amenas marcaram em meu coração um tempo de paz, que busco agora trazer viva à memória uma última vez mais. Ok, meu amigo, já estou pronto. Pode colocar sua mão sob meu ombro e tirar-me daqui. Já permaneci por tempo demais, agora que minha carta aos meus netos já escrevi, já posso partir. Não chorarei, não chorarei. Anjo, meu velho novo amigo, corte essa linha, me leve daqui. Estou pronto. ( Sorri).

Marcelo Matos

The wish, I miss

•dezembro 13, 2009 • Deixe um comentário

How long I’ve been missing you?

I guess you don’t know.

It shouldn’t be writing,

Among all these blank pages.

And the way that you took

And the fate that you met

I couldn’t imagine it.

I just wanted to show

Why I deserve to be there

And provide you…

The wish, I miss.

Oh, how long, how long I’ve been missing you?

How long, how long, I provide it. Without you.

The wish, I miss.

What’s the meaning?

What this is all about?

Why nothing really last?

But I’m still here, forever missing.

Sabrina Ruggeri

Sem-rango

•dezembro 13, 2009 • Deixe um comentário

Sentia saudade do rango da sua avó. Caramba, sentia muita saudade do rango da sua avó. É que, na época, ele não dava o valor que o rango da sua avó merecia, e saber disso o atormentava agora.

O rango da sua avó era bom, era sim. Mas nem por isso: é que os rangos que vieram depois eram piores, bem piores. Era até licença poética chamar alguns desses de “rango”.

Não sentia saudade do rango do reformatório. E nem do rango da cadeia.

Também não sentia saudade de quando não tinha rango. É que várias vezes não teve rango, várias vezes morou na rua. Engraçado isso, porque quando não tinha rango também nem sentia fome. Na rua, era muita química no corpo dele pra lembrar do rango.

Agora tinha rango. É que morava num albergue. Achava ruim o rango. Sabia que era muito exigente pra um sem-rango, mas nem ligava.

Sentia saudade do rango da sua avó. Nem sentia saudade da sua avó, só do rango. Se sentiu meio culpado. Comeu o rango do albergue. Nossa.

Definitivamente, sentia saudade do rango da sua avó.

Ramiro S. da Silva